Somos:
Somos; eu e você,
Duas estrelas sem brilho,
Sem firmamento.
Duas mãos inertes, paradas no tempo.
Dois pontos obscuros.
Duas almas tentando encontrar
Talvez... Um Abrigo.
Eu e você, perdidos em uma enigmática procura.
Somos a noite vazia.
O amanhecer sombrio.
O sol brilhando sozinho.
Somos, o riso, guardado nos lábios cerrados.
A lágrima seca.
A lua pairando acima das nuvens.
Despejando inutilmente, nas águas cristalinas,
O reflexo prateado
Escoando incansável, sua luz
Nos aveludados tapetes
Das noites de insanos devaneios.
Dois corpos mudos.
Quietos e tristes.
Até tornarem-se selvagens.
Somos os olhos,
Meigos e calados como um
Entardecer.
Somos a infinita madrugada.
A brisa das paixões
Flutuando no ar.
Somos as mãos trêmulas,
Enraizadas.
Somos a sinfonia aveludada
Bailando no mar de nossas carnes,
Unificadas.
Somos. Amantes eternos.
Dos corações, jamais extirpados.
(Do livro de Edna Vezzoni - “Poesias e Amoras, Beijos e outros Tangos”)











