Ou, Boa Tarde, ou, Boa Noite...

Quem sou eu

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Edna Vezzoni: - "Memórias Ancestrais" - Volume I
Assis, S.P, Brazil
Quem sou eu? Uma mulher simples e ao mesmo tempo complexa. "Todo escritor é simples e complexo". Dizem as más línguas que sou algo parecido com: - Cigana/Bruxa/Feiticeira/Druidesa/ Curandeira/Anja/Doida/ Lunática/Insana/Visionária e por aí a fora... Nem sei se devo acreditar?! Que se acha? Melhor não, né?
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sábado, 30 de janeiro de 2010

Um poema...


Somos:

Somos; eu e você,
Duas estrelas sem brilho,
Sem firmamento.
Duas mãos inertes, paradas no tempo.
Dois pontos obscuros.
Duas almas tentando encontrar
Talvez... Um Abrigo.

Eu e você, perdidos em uma enigmática procura.

Somos a noite vazia.
O amanhecer sombrio.
O sol brilhando sozinho.
Somos, o riso, guardado nos lábios cerrados.
A lágrima seca.
A lua pairando acima das nuvens.
Despejando inutilmente, nas águas cristalinas,
O reflexo prateado
Escoando incansável, sua luz
Nos aveludados tapetes
Das noites de insanos devaneios.

Dois corpos mudos.
Quietos e tristes.
Até tornarem-se selvagens.
Somos os olhos,
Meigos e calados como um
Entardecer.

Somos a infinita madrugada.
A brisa das paixões
Flutuando no ar.
Somos as mãos trêmulas,
Enraizadas.

Somos a sinfonia aveludada
Bailando no mar de nossas carnes,
Unificadas.

Somos. Amantes eternos.
Dos corações, jamais extirpados.

(Do livro de Edna Vezzoni - “Poesias e Amoras, Beijos e outros Tangos”)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A Jornada Sagrada.





As Trilhas de um Inquiridor – Buscador


E a Deusa diz:


─ O destino do homem sempre foi, e sempre será, o de indagar.


Todo aquele que viaja, um dia atravessa o Grande Portal que o coloca diante das veredas secretas da Arte, e, enquanto caminha em direção às terras da Primavera, do Verão, do Outono e do Inverno, a Grande Senhora da Magia vai recolhendo o manto de onde nascem as Brumas, e então a Verdade se lhe descortina quando o seu Propósito é o de curar a si mesmo, tornando-se naquele que cura o seu irmão. Ainda que, para curá-lo, tenha de feri-lo.


Este é o objetivo.


E esta não é uma Lenda!


As vozes que eu, Pina, ouço. Estão no tempo fora do tempo e elas dizem:


─ Existe uma ilha que pelos Deuses foi abençoada. Trata-se de uma cidade cujas terras são Sagradas. E Sagrados são os seus elementos constituídos do Fogo, da Terra, da Água e do Ar. Na junção desses quatro elementos habita o Éter, acima dos Mundos, abaixo dos Mundos e ao redor dos Mundos. E é nos Mundos entre os Mundos que a cidade da Magia da qual vos falo se encontra. E é daqui que Eu, a Senhora do Lago, Senhora dos Mistérios, Deusa Soberania, presido, acima de tudo.


Minhas são as três faces em que me transformo. Sou ao mesmo tempo Jovem, Senhora e Anciã. Enquanto Jovem, sou a noiva do Guardião da Terra. Enquanto Senhora, sou a Soberana da vida, e enquanto Anciã, sou a detentora de todos os mistérios, maiores ou menores; e Ele, “o Guardião da Terra”, está incluso em meu mistério. A ele compete trazer recursos para a sua terra, onde seu reinado deverá ser consolidado através da força e da vitalidade, mantendo-se assim firmemente comprometido com o propósito de trazer equilíbrio ao seu povo. E, afim de que sua energia seja criativa, ele, o Guardião da Terra, deve, nos mundos espirituais, mediar a mim, Senhora dos Mistérios, observando sempre o primeiro mandamento:


“ Respeitar-me em minhas três faces. Sabendo que, enquanto Deusa, minha é a face Anciã. Enquanto Sacerdotisa sou a face Senhora, e, enquanto Jovem, sou a Mulher encarnada na Terra, pouco importando a idade cronológica, uma vez que uma encarnação corre célere no mundo dos homens, e ela será sempre a minha face Jovem, e isso ocorre porque necessito da mulher, encarnada na Terra, para expressar-me através da Sacerdotisa, na qual a mulher se transforma, resgatando a sabedoria arquivada de outras vidas dedicadas a ser a Grande Mãe, ou seja, minha representante na Terra.


Observando esse primeiro preceito, então Ele contará com um guardião de cada elemento para auxiliá-lo em sua tarefa.


Por todo o Planeta existirão as terras da Primavera, do Verão, do Outono e do Inverno, que os homens deverão percorrer paulatinamente até voltarem a mim nos ciclos das reencarnações.


Nas terras da Primavera, situadas ao Leste, cujo elemento é o Ar, seu Guardião deverá estabelecer o Propósito da sua Jornada em busca da sua Espada Sagrada da qual a Luz emana. Aqui, seus olhos devem se tornar os olhos de uma águia. Caminhando em busca do aprendizado, deve, com o passar do tempo, transformar-se no mestre de si mesmo.


Nas terras do Verão, situadas ao Sul, cujo elemento é o Fogo, seu Guardião deverá estabelecer a Honra, a Verdade e a Justiça, para que possa ser merecedor de manejar a Lança Sagrada, aquela que tanto cura quanto fere. Aqui ele deve ser tal qual um leão, e os laços de sangue não devem ser relegados.


Nas terras do Outono, situadas ao Oeste, cujo elemento é a Água, seu Guardião deverá estabelecer o Amor, a Compaixão, e o Desprendimento para poder compartilhar com os homens da terra, os segredos guardados nas águas da vida, mantendo assim o Graal repleto da fertilidade existente apenas e tão somente nas Águas Primevas. Aqui, as vozes das serpentes, das profundezas do mar, devem falar livremente através dele para que os laços do coração, possam ser mantidos, de vida para vida.


Nas terras do Inverno, situadas ao Norte, cujo elemento é a Terra, seu Guardião deverá espelhar-se no touro negro da luz da meia-noite, e, através dos seus “desafetos”, sentir-se impulsionado a buscar o conhecimento de toda a criação, adquirindo assim a sabedoria e o Dom de ensinar, e conquistando dessa forma o direito de ser o Guardião da Pedra Angular.


A Pedra Sagrada, na qual, todas as memórias, desde o início das eras de todos os tempos, estão inscritas no coração da grande Caverna de Cristal, do Mundo entre os Mundos; nesse tempo atemporal de que vos falo, no qual não existe o Passado, o Presente ou o Futuro. Em mim, tudo ocorre em todos os tempos, e em tempo nenhum… Em mim tudo o que foi, é, e continuará a ser.


E na Terra, neste momento, uma das minhas muitas filhas que nasceu no século vinte e que foi batizada pelos mortais com o nome de Pina, conta uma história.


(parte integrante do livro: Memórias Ancestrais – Volume I – Em: A Magia de Moon)


Copyrigth©, 2008, Edna Vezzoni. – Todos os Direitos Reservados.


Onde encontrar o livro?
Diretamente comigo: ednavezzoni@gmail.com
e você o recebe com autógrafo, se assim o desejar.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009


Compartilho contigo o que recebi hoje, de uma amiga muito especial.


Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalante ódio.

Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.
Que a música seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.

Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.
Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.

Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.
Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.
Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.

Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!

Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e atua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome. Aquele amor que não se explica, só se sente.
Que esse amor seja o teu acalanto secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.
Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.


Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz!


(autor desconhecido)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A guerra entre Eva e Lilith.




Coisas que acontecem desde que o mundo é mundo, e desde a criação de Adão e Lilith e Eva.
Lilith foi à primeira mulher de Adão, a matriz. Mas, por insubordinação, não só para com o Adão, mas, para com o Criador também, passou a ser a segunda. Ou seja, a outra, a filial.
E quando Eva entrava na TPM, ou ele se cansava da enfadonha Eva, Adão perambulava pelas alamedas do paraíso, até encontrar a passagem secreta do inferno que o levava aos braços de Lilith. E ali, ele se aninhava e esquecia que seu lugar era junto a Eva, no paraíso, não junto a Lilith nos ermos sombrios do inferno...
O tempo fai passando e Adão Nunca conseguiu relegar Lilith ao esquecimento, e todas nós sabemos e conhecemos a fraqueza de Adão. Ele sofre de uma singular e Milenar Queda por Lilith.
Por esta chaga, a da rivalidade, aberta nos corações de Lilith, e Eva a guerra entre as duas prevalece até os dias atuais. (A dualidade brigando pela Unicidade).

Tudo principiou porque a EX. Ex, de existiu? Ora! Se existiu então não é Ex, posto que tudo aquilo que já existiu não tem como deixar de existir na vida de uma pessoa. É possível que, algo, tenha ficado para trás. No passado. Mas, o passado caminha junto com o agora. Faz parte da história de uma pessoa, de um povo, de uma nação. E, enquanto esse algo estiver vivo em nossas memórias não é Ex de existiu é Ex de ainda existe...
Bem, deixando a filosofia de lado, vamos aos fatos:

- O que aconteceu foi em decorrência de uma INOCENTE mensagem quando da passagem do Ano Velho para o Ano Novo. Ano de 2008 para 2009.
A atual EX, querendo retribuir os votos de um Feliz Ano Novo que Ele havia antecipado, digitou uma mensagem a Ele, desejando aquelas besteiras que normalmente desejamos a aqueles que nos são caros, e enviou para o celular. Dele.
Ela, a outra, estava por perto e viu a mensagem que Ele recebeu. Como a EX assinou “Eu”, e a outra não conhecia o número do celular da EX, ficou com a pulga atrás da orelha...
Como mulher é um bicho ardiloso, (e nenhuma é Santa, desde Lilith e Eva) a atual, ou outra, não sei muito bem, cultivou as pulgas, coçando a orelha para que elas proliferassem, e, esperou a hora de atacar. (mas, às vezes o tiro sai pela culatra, posto que quem procura sempre ACHA. Até sarna. Para se coçar).

Dias mais tarde, em uma das visitas para troca de óleo, e essas coisas que os casais costumam fazer... A outra deu um jeito, sutilmente, de fazer com que Ele esquecesse o celular na casa dela. Assim que Ele saiu, ela ligou para a EX. Mas a EX não atendeu ao chamado. Conhecia muito bem aquele número. Se fez de morta. Inconformada a outra tentou novamente e desta vez ligou para a EX do celular dele. A EX disse – Alô? – e o que ouviu foi o silêncio, e como não estava a fim de falar com fantasmas destituídos de voz, desligou. Dez minutos depois a outra voltou a ligar. Agora do celular dela, e, a EX não atendeu... Que se matasse de tanto ligar. Já sabia do que se tratava. O “esperto” esqueceu o celular lá, e a outra estava fazendo terrorismo.


Dia 19 de janeiro de 2009. 00h05.
A EX estava lendo um livro fascinante, quando o celular vibrou no toque que acusa o recebimento de mensagens. Distraída, abriu o celular e clicou na mensagem:

De: C.M para ex:
- Oi desconhecida. espere. Vou te fazer uma surprezzzinha. Logo logo.
Assinado: C.M.

A EX ficou muito brava (- Que droga! Fulaninha mais do que besta. Vamos ver como você sai desta, queridinha...) e digitou a resposta:

Para: C.M
O número, para o qual, você ligou na sexta feira a noite, de fato me pertence. E daí? O que você vai fazer com essa informação? Santa!

E complementou com a sequencia:
Para: C.M
Não sabia que as pessoas são objetos, expostos nas prateleiras dos super mercados! Quanto você pagou por ele? Sim. Deve ter pago algum valor, para se arvorar de Dona do moço. Você sabe muito bem quem eu sou. E, por favor, não me faça ameaças. Siga a sua vida, e me deixe em paz.


De: C.M 00h40 para ex:
Não me chame de santa. Vc nao me conhece. Melhor chamar de Capeta, e não costumo fazer ameacas.
Ass: C. M


De: C.M 00h44 para ex:
E e vc q não nos deixa em paz.
Ass: C.M


Para C. M.
Ah, ta! Você não faz ameaças. Apenas mata? E você acredita mesmo que me assusta com o cognome de “Capeta”? Para a sua informação, “eu” sou aquela a quem Deus criou e avisou o Diabo: - Estou criando aquela com a qual nem Eu mesmo posso! E, tem certeza de que sou eu mesma quem não os deixa em paz? Ó Santa Iludida! Agora me faz um favor, vai dormir, porque Eu não vou!
Ass: LILITH

Eva, a outra, deve ter ido dormir porque não mandou mais mensagens para Lilith. Não naquele dia...E assim, o Inferno e o Paraíso entraram em calmaria por alguns dias...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009


Ai, ai. To cansada!
Por motivo de quê?

É que lavo, passo, limpo, cozinho, capino, rastelo, podo árvores, semeio e planto e replanto e rego as plantas.
Dou banho em gatos e ainda lhes aliso os pêlos. Limpo os ouvidos também. Com cotonetes.
Canto, choro, rio e sorrio. Faço caminhadas e alongamentos.
Pinto, bordo, faço crochê e costuro, inclusive colchas de retalhos. Ah sim, também fabrico bonecas. De pano.
Saio para as compras, e para pagar as contas, também. Ai que tragédia! Pagar não é nada bom, porém imprescindível. 
Estou sempre aonde precisam de mim. Principalmente junto aos familiares.
Participo disto e daquilo, e estou arranjando mais um curso para a minha nada Santa cabeça.
Leio, escrevo e reescrevo. Estudo e pesquiso.
Durmo em média cinco horas a cada vinte/ vinte e duas horas. Sou aluada mesmo, por isso reivindico dos Senhores Gestores da Terra um dia com 48 horas de duração. Pode ser? Quem sabe assim, eu consiga fazer tudo quanto preciso sem ficar com essa Bendita e  desagradável sensação de que o tempo Urge, e que por mais que eu corra; o tempo não será suficiente para concluir tudo quanto ainda há por ser feito.
Como estou cansada de me cansar, vou dormir, e assim, descansar.

Depois eu falo sobre a goiabeira...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

"Bota ao Microondas".

Alguns compromissos estavam agendados. E para honrá-los havia que se viajar.
Eram meados de julho. Chovia torrencialmente aqui no interior, e fazia frio. O frio se instalava nos ossos. Principalmente de quem os tem osteoporizados.
Comprei a passagem, e consultei o Senhor do Tempo, - achei mais prudente do que consultar a moça do tempo! - para saber exatamente o quê colocar na bagagem. Pelo que pude deduzir em minhas pesquisas nos portais da dita internet, o tempo em São Paulo, não estaria diferente daqui. Talvez se apresentasse um pouco pior, do que aqui.
Arrumei a mala e escolhi os calçados. Um chinelo, para ficar à vontade, quando estivesse em casa. Quer dizer, na casa aonde ia me hospedar. Um par de sapato de salto alto, para eventuais necessidades. Mas eu rezava para não ter de usá-los. Salto alto me deixa um pouquinho mais alta. Só um pouco mesmo! Em contra partida a coluna sofre que só vendo uma coisa. Que coisa? Ah, sei lá coisa. Aqui no interior usa-se muito essa expressão quando não se lembra o nome... Da Coisa! Ou seja, daquilo que se quer dizer.
Duas sandálias. Esperança em demasia? Vai que faz calor! Melhor prevenir. Um sapatinho baixo, tipo moleca. Muito confortável. Mas impróprio para muitos lugares. E uma bota de camurça, no tom marrom claro. Bota amiga. Companheira de mais de ano. Comprada em São Paulo no inverno retrasado. O último par da vitrine. Comigo é sempre assim. O vendedor surge com a caixa na mão, e o sorriso amarelo que eu já conheço de outros verões e de outros invernos também! (isto para não citar o outono e a primavera). — É o último par. Só tem o que tá na vitrine. — Fazer o que? Pé de princesa é pé de princesa! Mais não é, é de Gata Borralheira mesmo.
A bota, de zíper e salto baixo, é muito confortável. Quase nem sinto que estou andando. Sim. Era com ela mesma que eu iria viajar. E lá fomos nós, a mala, a bota e eu, rumo à capital do estado. A bota no meu pé, é claro. Na mala é que não ia.
Em meio à semana, resolvi dar um rolet em CAMELOT que fica lá pras bandas da rua vinte e cinco de março. Pode parecer muito doido, mais eu gosto daquela loucura que a gente só encontra em CAMELOT. Assim, em meio ao aguaceiro que desabava sobre a cidade da garoa, inventei um bom motivo para sair do abrigo onde eu estava. Confortavelmente seca. Qual foi o motivo que arranjei? Comprar uns metros de tecido xadrez nos quais eu bordo o ponto cruz. Na verdade o motivo nem foi assim tão inventado, uma vez que eu tinha encomenda para bordar duas toalhas...
Logo após o almoço, subi no primeiro ônibus que passou e desembarquei nas proximidades de CAMELOT.
Sobe e desce ladeira. Entra em loja e sai de loja. Campeia em um armarinho. Fuça em outro. Vê os muambeiros fugindo do rapa. O céu se fechando. O tempo passando e o mundo desaguando em meio à apregoação dos vendedores:
— Compra a máscara, dona. Olha a máscara, dona.
— Sombrinha. Olha a sombrinha. Tem de cinco. Tem de dez e tem de quinze. Quem vai querer?
— Olha o milho verde ai gente! Quem vai querer milho verde. Quentinho, quentinho! Quem vai querer?
— Olha a capa, olha a capa. Só dois reais. Quem vai querer?
— Olha o rapa! Olha o rapa! Corre gente que lá vem o rapa.
Ó vida marvada! E lá se vão eles. Fugindo do rapa e arrastando as muambas.
Nessas andanças, o ponteiro do relógio apontava para as cinco da tarde, e a bota no meu pé se ensopando. E dentro da bota, a meia foi esfriando, esfriando e o pé gelando...
Logo mais à noite, eu tinha um compromisso. Jantar com um dos meus filhos e nora.


Ali, em CAMELOT e em meio ao aguaceiro do entardecer eu me pus a matutar.

Voltar para o apartamento da amiga no qual eu estava hospedada e trocar roupas e calçado? Seria o mais correto. Sem sombra de dúvida. A meleca é que eu havia extrapolado o tempo nessas andanças e agora eu levaria um tempão até chegar a casa dela. E outro tempão maior ainda para chegar ao local do compromisso.
Como eu estava bem mais perto da casa do filho ao qual me refiro, decidi ir direto para a casa dele. Com bota molhada e tudo.
Ensopada até a alma, lá fomos nós, a um restaurante aconchegante, na Barra Funda. O jantar na companhia deles foi muito bom. Uma delicia. A única coisa que incomodava, era o pé gelado, dentro da bota encharcada.

Por volta das onze da noite, meu filho me deixou diante da portaria do prédio da minha amiga.
Dia seguinte. Um compromisso inadiável em Santos.

E a chuva? Molhada. E a bota? Também. E o frio? Firme e forte, decidiu de uma vez por todas, que frio que se preza é frio mesmo.
Ó céus, que fazer! Sapato de salto alto, inda mais para viajar, nem pensar! Sandália? Menos ainda. Moleca? Sair descalça dá na mesma. Mesmo. Se a bota naufragou, o que é que se pode esperar de um calçado de tecido?
Refleti e refleti e me ocorreu uma feliz idéia. Dessas que só gênio costuma ter. Pensei cá com os meus botões: — Se já sequei roupa no microondas, porque não secar a bota?
Pois é. Foi o que eu fiz. Botei a bota no microondas. Cinco minutos. Deve ser o suficiente... Pensei. E aguardei impaciente o apito do forno.
Cinco minutos depois, eu abri o microondas, e retirei exultante, a bota quentinha. Soltando fumaça. Que delicia! Enfim, um calçado seco, confortável e digno de se calçar para enfrentar a viagem até Santos! Abri o zíper e calcei o pé direito. — Que estranho! Parece que tá cheio de caroço... Coisa esquisita. — Retirei a bota e passei a mão em seu interior. Eu havia me esquecido de um detalhe. Pequeno, mas significativo detalhe. A palmilha era de borracha...


Enfiei o pé no primeiro par de sandálias a vista e antes de chegar ao metrô, entrei na primeira loja de calçados que vi.
— Moço. Aquela bota ali. Você a tem na cor preta?
— Tenho. Qual é o número?
Na hora deu um diabo de um branco e eu respondi.
— 34.
E lá veio ele com a caixa e o sorriso amarelo.
— É a última.
Calcei a bota e passei no caixa. Nem perguntei quanto era. Cartão serve para nos socorrer e endividar nas emergências.
Bota nova e lá fui eu em direção a Santos. O pé navegando dentro da bota e a bota navegando nas águas de Santos e foi um aguaceiro só.
Fui e voltei intrigada. “Será que o moço me enganou? Será que ele me fez comprar um numero maior. Tipo 35?”. Deixa estar. Quando chegar a São Paulo eu verifico. E verifiquei. Os dois pés da bota continham o mesmo número, 34. Portanto, o moço não me enganou. Ele me trouxe o número correto. Alguma coisa estava errada e só podia ser com o meu pé. Principalmente o esquerdo. Nele a bota ficava incrivelmente mais folgada. Que safado! Quem? O pé esquerdo, é claro!
Dia seguinte. Ainda intrigada e inconformada com o fato de ter perdido a bota de camurça marrom, eu a peguei para examinar. Quem sabe isto ainda tem conserto? No que eu puxei o zíper, vi a etiqueta com a numeração. 33.
Ah, então é isto?! Não há nada errado com a bota nova nem com o meu pé. O número é que está errado. Eu não calço 34. O meu é um pezinho de Gata Borralheira, esqueceu? 33.
De volta a minha cidade, e inconformada com o fato de ter perdido uma bota querida e de ter comprado outra com a numeração errada, sai à cata de outra bota.
Desta vez eu encontrei a bota que foi feita sob medida para mim. Quer dizer, para o meu pezinho de princesa borralheira.
— Moça. Aquela bota preta, de cano baixo e sem salto.
— Qual?
— Aquela ali, da vitrine.
— Ah, sei. Ta na oferta. Liquidação de inverno. Cinqüenta por cento de desconto e pode parcelar em até seis vezes no cartão.
— Você tem o número 33?
— É o último.
— Não tem importância. Eu quero só um par.


E calcei a bota.
Essa, eu juro por tudo quanto há de mais sagrado. Não boto no microondas. Aliás, “Bota ao Microondas” é um prato que eu não recomendo a ninguém. Nem aos inimigos. É um prato pra lá de indigesto. Além de caro. Caríssimo.



Isto é apenas uma ilustração.
Essa não é a bota que eu comprei. A que eu comprei é preta, não é vermelha.

sábado, 1 de agosto de 2009

Um breve resumo do assunto que tratei em minhas palestras:

Os Deuses Antigos nunca se afastaram de nós. Nós é que nos distanciamos deles. A Deusa nunca abandonou os seus filhos. Ao contrário, seus filhos se distanciaram dela, e a maioria das “suas” filhas a relegou ao plano do esquecimento, em detrimento de um Único e Poderoso Deus. Mas, a Deusa não necessita da anuência ou da lembrança do ser humano para existir. Ela sempre foi, é, e será a Grande Mãe que a todos acolhe.
Em meu livro, Memórias Ancestrais – volume I – Em a Magia de Moon, lançado pela editora biblioteca24x7, eu trabalho com o Sagrado Feminino implícito nas três faces da Deusa. — Do início ao final do livro —, também conhecida como a Grande Mãe. Aquela que era reverenciada pelos nossos Ancestrais, desde a era das cavernas. A Deusa Tríplice.
— E quais são essas três faces da Deusa?
— Como é do conhecimento da grande maioria, as três faces são: a Jovem, a Senhora e a Anciã.

A Grande Mãe era aquela que, a tudo gerava, e a todos sustentava, em suas mais variadas formas. Fosse no mel das abelhas, nas raízes comestíveis, nas frutas silvestres, ou até mesmo na carne dos animais por eles abatidos.
Estes, os animais, eram aproveitados em todas as suas variantes. Nenhuma parte era desperdiçada. — Nossos ancestrais não caçavam por esporte, e sim para sobreviver. — Os ossos, quando de animais maiores, serviam de estacas para se armar uma tenda. Menores, eram utilizados como adornos variados. O couro apos curtido servia para a confecção de roupas, sacolas e panelas, entre outros e variados usos. As vísceras eram esvaziadas, e depois de lavadas, transformavam-se em vasilhames para se armazenar e transportar líquidos e gorduras, e assim sucessivamente...
Aqui, neste passado remoto, ou seja, no contexto da história que apresento nos capítulos do Livro Primeiro da Tradição, temos a face Anciã da Deusa amplamente trabalhada.

A face Senhora da Deusa está contida na Ilha de Moon. Local este que abriga as Mulheres Santas, ou as Sacerdotisas, que são aquelas que vivem para servir a Deusa, e, a serviço da Deusa tratam de levar conhecimentos aos homens e mulheres dos povoados ao redor da Ilha de Moon. Bem como são elas as curandeiras de seus males. Sejam eles físicos, emocionais, ou mentais.
— Porque isto se dá através das Mulheres de Moon?
— Ora, Moon significa Lua, e é ela, a Lua, quem rege e movimenta os fluxos e refluxos da vida, através da mediunidade, intuição, percepção e assim por diante.
Moon é a Grande Senhora. E a Grande Senhora é aquela que irá colocar em pratica aquilo que a sua face Jovem semear.

A face Jovem da Deusa é abordada dentro da obra, em pleno século XX.
Ainda que o seja feito através de uma anciã de 82 anos, Pina — uma das personagens principais. — transmitindo seus conhecimentos à sua bisneta, a jovem Lidyane.
— Por quê?
— Porque é a face jovem da Deusa que dá início a tudo aquilo que precisa germinar, crescer e florescer; ou se transformar.
Na medida em que Pina transmite os seus conhecimentos a Lidyane, ela caminha para se transformar em jovem novamente, através da travessia do portal dos renascimentos, para o País da Eterna Juventude, ou para o Mundo de Enmania. E, a jovem Lidyane caminha para a face Senhora da Deusa, que no futuro se transformará em Anciã.
Esse é o eterno girar da Roda da Vida, e este é o mistério do Sagrado Feminino. Ser Jovem, Senhora e Anciã. Os três aspectos, ou as três faces da Deusa contidos em cada uma de nós mulheres. As representantes da Deusa na Terra.

Estes, e outros assuntos correlacionados, são por mim abordados em meu livro da “Saga das Sacerdotisas”, através do titulo “Memórias Ancestrais”.
“Se a obra está editada como ficção, cabe a cada um julgar se não se trata da mais pura e fiel realidade do mundo que nos cerca”.